A prefeita de Alto do Rodrigues, Raquel Lemos (PP), foi às redes sociais comemorar o resultado do município no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), destacando a evolução da nota de 6,0, em 2023, para 6,3, em 2025. O avanço, de apenas 0,3 ponto, embora possa ser considerado positivo, também levanta questionamentos sobre a dimensão da comemoração diante da capacidade de investimento e do potencial educacional do município.
Comemorar qualquer melhoria na educação é legítimo, principalmente quando envolve o esforço de alunos, professores e demais profissionais da área. No entanto, transformar um crescimento tão modesto em um grande feito pode soar exagerado para quem acompanha de perto os desafios da educação pública. Avançar é importante, mas também é preciso perguntar quanto poderia ter sido avançado.
Na própria publicação, Raquel afirmou que o resultado representa “o esforço dos nossos alunos, a dedicação dos profissionais da educação e todo o investimento” realizado pela atual gestão. O problema é que o resultado de 2025 também é fruto de um processo educacional que atravessou diferentes administrações, incluindo o trabalho realizado durante a gestão do ex-prefeito Nixon Baracho.
A nota de 6,3 registrada em 2025, portanto, não nasceu exclusivamente na atual administração. A evolução entre as avaliações é consequência de um conjunto de ações, investimentos, professores, gestores escolares e, principalmente, do desempenho dos estudantes ao longo do período. Por isso, atribuir o resultado de forma ampla à gestão atual exige, no mínimo, uma análise mais cuidadosa dos números.
Alto do Rodrigues possui arrecadação e capacidade financeira que permitem cobrar resultados mais expressivos na educação. A discussão não deveria ser apenas sobre comemorar os 0,3 ponto conquistados, mas sobre estabelecer metas mais ambiciosas para que os estudantes tenham acesso a uma educação cada vez melhor e o município consiga transformar recursos públicos em resultados concretos.
No fim das contas, a comemoração é válida, mas o exagero pode ser questionado. Se o avanço foi construído também com o trabalho de administrações anteriores, comemorar como se fosse uma conquista exclusiva da atual gestão pode passar a impressão de estar “atirando com pólvora alheia”. Educação não deveria servir apenas para produzir propaganda política: deveria ser tratada como prioridade permanente, com resultados proporcionais ao potencial do município.






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