A população de Serra do Mel tem motivos de sobra para cobrar explicações. Entre 2023 e 2026, o município recebeu impressionantes R$ 2.921.475,62 em emendas Pix, recursos enviados diretamente pelo Governo Federal para os cofres da Prefeitura. O problema é que, até agora, grande parte da população não sabe exatamente onde esse dinheiro foi aplicado nem quais benefícios concretos foram entregues em troca de um volume tão expressivo de recursos públicos.
Durante a gestão do ex-prefeito Bibiano Azevedo, foram recebidos R$ 1.532.938,00 em transferências especiais, todas destinadas por meio de emendas parlamentares. Os recursos chegaram aos cofres municipais sem burocracia de convênios, justamente para acelerar investimentos e melhorias para a população. No entanto, passados meses e até anos de alguns desses repasses, permanece a pergunta que ecoa nas ruas da cidade: onde foi investido esse dinheiro?
A situação ganha ainda mais relevância porque Bibiano Azevedo continua sendo uma das principais lideranças políticas do grupo que atualmente comanda o município. Seu sucessor, Kênio Azevedo, assumiu a Prefeitura em 2025 e manteve a mesma proximidade política com o ex-gestor, o que faz com que a cobrança por transparência recaia sobre ambos os períodos administrativos.
Na atual gestão, Serra do Mel já recebeu mais R$ 1.388.537,62 em emendas Pix, elevando o total acumulado para quase R$ 3 milhões. São recursos que poderiam representar obras estruturantes, melhorias na saúde, educação, infraestrutura e qualidade de vida da população. Entretanto, sem informações claras e detalhadas, os números acabam gerando mais dúvidas do que respostas.
A falta de transparência sobre a aplicação dessas verbas abre espaço para questionamentos legítimos da sociedade. Afinal, se o dinheiro entrou nos cofres públicos, a população tem o direito de saber em qual obra foi investido, qual serviço foi executado, quanto custou cada ação e quais resultados efetivos foram alcançados. Transparência não é favor; é obrigação legal e moral de qualquer gestor público.

O caso das emendas Pix tem sido alvo de debates em todo o país justamente pela dificuldade de rastreamento de alguns investimentos realizados com esses recursos. Em Serra do Mel, a situação não é diferente. Sem uma prestação de contas acessível e detalhada, fica impossível para o cidadão acompanhar se o dinheiro foi aplicado de forma eficiente e em benefício coletivo.
Enquanto isso, problemas históricos continuam sendo enfrentados pela população em diversas áreas. Estradas necessitando de melhorias, demandas na saúde, infraestrutura urbana e serviços essenciais ainda fazem parte da realidade de muitos moradores. Diante desse cenário, é natural que a população questione qual foi o destino dos quase R$ 3 milhões recebidos pelas administrações de Bibiano e Kênio Azevedo.
Mais do que números em extratos bancários, essas emendas representam dinheiro público que pertence à população. Por isso, a sociedade tem o direito de exigir respostas, documentos, relatórios e transparência total sobre cada centavo recebido. Afinal, quando quase R$ 3 milhões entram nos cofres municipais, o mínimo que se espera é que os gestores expliquem com clareza onde o dinheiro foi aplicado e quais benefícios efetivamente chegaram ao povo de Serra do Mel.








DEIXE O SEU COMENTÁRIO